Após o diagnóstico de um tumor, o teste de biomarcadores no câncer pode fornecer informações importantes sobre as características do tumor e ajudar o oncologista a avaliar quais terapias têm maior chance de funcionar para aquele paciente.
Isso acontece porque cada tumor pode apresentar alterações diferentes em genes, proteínas e outras moléculas. Ao identificar essas características, a equipe médica consegue compreender melhor o comportamento da doença e, em determinadas situações, encontrar opções de tratamento mais direcionadas.
Mas o que exatamente são testes de biomarcadores? Como esses testes são feitos? E um resultado positivo significa que determinado medicamento vai funcionar? Entender essas questões pode tornar a conversa com o oncologista mais clara e ajudar pacientes e familiares a compreenderem melhor as possibilidades do tratamento. Isso é o que vamos esclarecer melhor neste artigo; acompanhe!
O que são biomarcadores no câncer?
Biomarcadores são características biológicas que podem ser identificadas e medidas no organismo e que fornecem informações sobre uma doença. No câncer, eles podem estar relacionados a alterações em genes, proteínas ou outras moléculas presentes nas células tumorais. Essas informações ajudam a identificar características específicas da doença.
Dois pacientes podem ter o mesmo tipo de câncer, por exemplo, mas apresentar alterações moleculares diferentes. Por isso, o tratamento mais adequado para um pode não ser necessariamente o mesmo para o outro.
O exame que investiga essas características pode analisar uma ou várias alterações ao mesmo tempo. O objetivo é oferecer ao oncologista informações para avaliar o diagnóstico, o prognóstico e, principalmente, as opções terapêuticas.
Quais são os biomarcadores do câncer?
Os biomarcadores variam de acordo com o tumor e com a finalidade do exame. Entre os exemplos estão HER2, EGFR, KRAS e PD-L1, que podem ajudar o oncologista a avaliar características do tumor. Também podem ser analisadas alterações em genes como BRCA1 e BRCA2.
Entre os tipos de características que podem ser analisadas estão:
- alterações em genes específicos;
- presença ou ausência de determinadas proteínas;
- características relacionadas ao sistema imunológico;
- quantidade de determinadas alterações no DNA do tumor;
- alterações que podem indicar maior ou menor probabilidade de resposta a uma terapia.
Alguns biomarcadores são utilizados para ajudar a identificar tratamentos específicos. Outros podem contribuir para acompanhar a evolução da doença ou avaliar características que ajudam o médico a compreender seu comportamento.
Como é feito o teste de biomarcadores no câncer?
Em tumores sólidos, é comum utilizar uma amostra obtida por biópsia ou durante uma cirurgia. O material é encaminhado para um laboratório especializado, onde as células tumorais são analisadas.
Também existe a chamada biópsia líquida, que utiliza uma amostra de sangue para procurar fragmentos de DNA ou outras características liberadas pelo tumor na circulação. Essa alternativa pode ser considerada em determinadas situações, inclusive quando obter uma nova amostra do tumor é difícil ou envolve riscos.
O material coletado pode passar por diferentes técnicas laboratoriais. Alguns exames investigam uma alteração específica, enquanto outros avaliam dezenas ou centenas de genes ao mesmo tempo. Um teste genético do tumor pode, por exemplo, procurar alterações que ajudem a identificar possíveis alvos terapêuticos.
É importante lembrar que nem sempre é possível obter uma resposta completa. A amostra pode não ter tecido suficiente ou o exame pode não encontrar um biomarcador para o qual exista uma opção de tratamento disponível.
Quais são os exames marcadores de câncer?
Os exames de marcadores de câncer têm finalidades diferentes e não devem ser confundidos com os testes usados para definir terapias.
Alguns marcadores tumorais são substâncias que podem ser encontradas no sangue, na urina ou em outros materiais biológicos. Eles podem ajudar o médico a acompanhar determinados tipos de câncer, avaliar a resposta ao tratamento ou observar sinais que justifiquem uma investigação mais detalhada.
Já os testes de biomarcadores voltados à escolha do tratamento procuram características moleculares do tumor que possam estar relacionadas à resposta a determinados medicamentos. Assim, um marcador tumoral alto não significa, por si só, que uma pessoa tenha câncer.
Como o resultado pode influenciar o tratamento?
Uma das principais utilidades do teste de biomarcadores no câncer é ajudar a equipe médica a identificar se existe uma característica do tumor que possa ser utilizada para orientar o tratamento oncológico.
A relação entre biomarcadores e terapia-alvo é um dos exemplos mais conhecidos da aplicação desses exames. As terapias-alvo são desenvolvidas para atuar sobre determinadas alterações ou características das células cancerígenas. Um exemplo é a identificação de alterações em genes específicos que podem tornar o tumor candidato a medicamentos contra aquela alteração.
O resultado também pode indicar que determinada terapia provavelmente terá pouco benefício. Isso é relevante porque a informação pode ajudar a evitar tratamentos que não sejam adequados para aquele perfil tumoral.
Ainda assim, encontrar um biomarcador compatível não significa que o medicamento necessariamente funcionará. A resposta pode depender de outros fatores relacionados ao tumor e ao próprio organismo.
Os biomarcadores também podem ajudar a avaliar a possibilidade de utilizar imunoterapia, uma abordagem que estimula ou modifica a resposta do sistema imunológico contra as células cancerígenas.
Entre as características que podem ser investigadas estão proteínas relacionadas aos mecanismos de controle da resposta imune e outras alterações moleculares.
Medicina de precisão em oncologia
A abordagem de precisão em oncologia busca ir além da classificação do câncer apenas pelo órgão onde ele começou e considerar também as características biológicas da doença.
Na prática, isso significa combinar informações do tumor com dados clínicos, exames de imagem, histórico do paciente e outros fatores para tomar decisões mais personalizadas.
Um painel genômico para câncer, por exemplo, pode analisar diversas alterações de uma só vez. Dependendo do resultado, podem surgir possibilidades terapêuticas já aprovadas, alternativas avaliadas em determinadas situações ou até oportunidades de participação em estudos clínicos.
Teste do tumor é igual ao teste genético hereditário?
Não. O teste realizado no tumor procura alterações que estão presentes nas células cancerígenas. Muitas delas são chamadas de alterações somáticas, pois surgiram ao longo da vida e estão restritas ao tumor. Portanto, uma alteração encontrada no câncer não significa automaticamente que ela foi herdada dos pais ou que será transmitida aos filhos.
Já o teste genético hereditário procura alterações presentes nas células do organismo e que podem ter sido herdadas. Quando existe suspeita de uma alteração hereditária associada ao risco de câncer, o médico pode solicitar uma investigação genética e, quando necessário, orientar o paciente e seus familiares.
O que fazer depois de receber o resultado?
O laudo de um teste de biomarcadores pode trazer muitos termos técnicos e nem sempre é fácil entender o que cada alteração significa. Por isso, o ideal é discutir o resultado diretamente com o oncologista.
Algumas perguntas podem ajudar nessa conversa:
- O biomarcador encontrado está relacionado a algum tratamento?
- Existe medicamento aprovado para esse perfil?
- O resultado muda a estratégia inicialmente planejada?
- Existe algum tratamento em estudo que possa ser considerado?
- É necessário repetir o teste em algum momento?
Também é importante entender que um exame sem biomarcadores acionáveis não significa que não existam opções de tratamento. A oncologia utiliza diferentes estratégias, e a decisão terapêutica considera muito mais do que o resultado molecular.
Além disso, as características de um tumor podem mudar ao longo do tempo. Em algumas situações, o médico pode considerar uma nova investigação para verificar se o perfil molecular do tumor também mudou.
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Perguntas frequentes sobre teste de biomarcadores no câncer
O teste de biomarcadores define sozinho o tratamento?
Não. O resultado do teste é apenas uma das informações utilizadas pelo oncologista. A decisão também considera o tipo e estágio do câncer, localização do tumor, estado geral do paciente, tratamentos anteriores e outros exames.
O teste de biomarcadores no câncer precisa ser repetido durante o tratamento?
Nem sempre. A repetição depende do tipo de câncer, da evolução da doença e da avaliação do oncologista. Em casos de progressão ou retorno do tumor, um novo teste pode ser solicitado para verificar se surgiram alterações que possam influenciar a escolha do tratamento.
O que acontece se a biópsia não tiver tecido suficiente para o teste?
O laboratório pode não conseguir realizar a análise ou obter um resultado confiável. Nessa situação, o oncologista pode avaliar a possibilidade de utilizar outra amostra do tumor ou solicitar uma biópsia líquida, quando esse método for adequado ao caso.
Um biomarcador pode desaparecer ou mudar depois da quimioterapia?
Sim. As características moleculares do tumor podem sofrer alterações ao longo da evolução da doença e após tratamentos. Por isso, um resultado obtido no diagnóstico pode não representar exatamente o perfil do tumor em uma fase posterior.
O resultado do teste pode indicar um medicamento que ainda não está disponível para o meu tipo de câncer?
Pode acontecer. Alguns biomarcadores estão associados a medicamentos aprovados para outros tipos de tumor ou a tratamentos que ainda estão sendo estudados. Nesses casos, o oncologista precisa avaliar se existe evidência suficiente e se essa alternativa é adequada e viável para o paciente.



